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Donos de veículos denunciam governo de SP por prensar e vender veículos sob guarda do Estado

A medida atinge principalmente famílias mais pobres, sem dinheiro para retirar carros e motos dos pátios. 

Uma denúncia grave coloca o Governo de São Paulo diante de uma pergunta incômoda envolvendo gestão e empatia: por que justamente os mais pobres estão sendo atingidos de forma tão pesada pelo Estado? Segundo proprietários, carros e motos recolhidos aos pátios, que poderiam seguir para leilão, estão sendo prensados e vendidos como sucata a preços irrisórios. Entre os atingidos estão desempregados, trabalhadores que vivem de bicos e famílias que compraram um veículo usado porque era o único que cabia no orçamento. Gente que já tinha pouco e agora vê o carro ou a moto virar um monte de ferro-velho. Muitos tiveram o veículo apreendido por irregularidades como IPVA ou licenciamento atrasados e, sem dinheiro para regularizar a situação, pagar as despesas e retirá-lo do pátio, acabaram perdendo definitivamente o único patrimônio que possuíam.  

O servente de pedreiro José Renato conta que já havia juntado metade do dinheiro necessário para recuperar seu carro quando recebeu a notícia de que não havia mais carro para buscar. “Disseram que tinha ido para a prensa e vendido como ferro-velho por uns R$ 400. E ainda vou ter meu incluindo no CADIN, pois o valor o valor arrecadado no leilão não pagou nenhuma despesa. Eu estava juntando os recursos. Não abandonei meu carro. O Governo não me deu uma saída, simplesmente tirou de mim o único patrimônio que eu tinha. Quem está sem dinheiro precisa de ajuda para sair do problema, não de mais um problema.” 

COMO FUNCIONA 

Quando um veículo é recolhido para o pátio, se o proprietário não pagar os impostos, taxas e multas, ele pode ser leiloado. O dinheiro arrecadado é usado para pagar débitos relacionados ao bem e o saldo retorna para o antigo proprietário. Ou seja, mesmo sem conseguir recuperar o carro, José Renato ainda poderia recuperarparte do valor daquele patrimônio mas a prensa acabou com essa possibilidade.

O PERITO VÊ PESSOALMENTE. O GOVERNO REBAIXA PELA TELA E SEM CRITÉRIO

Antes do leilão, um avaliador credenciado vai pessoalmente ao pátio, examina o veículo e produz um laudo. Só que o atual governo criou recentemente a chamada “convalidação”, uma análise a mais.  

Em consulta a entidades da categoria SEGRESP- Sindicato Das Empresas E Proprietários De Serviços De Reboque, Resgate, Guincho E Remoção De Veículos No Estado De São Paulo, SINGUESP – Sindicato dos Guincheiros Removedores de Veículos do Estado de São Paulo e APPAGESP – Associação dos Proprietários de Pátios, Guinchos e Depósitos de Veículos do Estado de São Paulo, essa etapa é feita a distância, pela tela de um computador. E a classificação que foi realizada anteriormente pelo perito que esteve diante do veículo é derrubada por uma pessoa que nunca pisou no pátio, só teve contato com o veiculo pelas informações e imagens disponíveis no sistema. 

Para Deivid de Andrade, presidente da APPAGESP, o procedimento é arbitrário e socialmente devastador.  “Uma das justificativas para o rebaixamento é “foto com resolução ruim”. Era só refazer a foto. O atual governo credencia um profissional, ele vai ao pátio, examina o carro e assina o laudo. Depois alguém que nunca viu aquele veículo pessoalmente muda a classificação. Se existe dúvida, mande outro profissional olhar. O que não pode é destruir o patrimônio de uma família com um simples clique no computador. Ou não existe empatia ou  tem algum interesse por trás, só pode ser ” .  

87% DOS VEICULOS PRENSADOS 

Roberto Eger Stuewe, presidente do SEGRESP denuncia que em Presidente Prudente, dos 490 veículos preparados para leilão, 426 foram reclassificados como sucata. Isso representa aproximadamente 87% do total, segundo os dados apresentados pelo sindicato.  No caso do Edital 430/2026,  de 262 veiculos aptos a serem vendidos como direito a documento, que foram para convalidação,  180 foram rebaixados para prensa.  

Carro leiloado sendo prensado

Elantra com direito a documento, valor de mercado de R$ 53.000,00. Erro de convalidação fez o carro ser vendido como prensa a R$ 0,64 o quilo. Veículo será prensado em breve.

A CONTA CAI SOBRE QUEM JÁ ESTÁ NO LIMITE 

Deivid de Andrade, presidente da APPAGESP também chama a atenção para a consequência social. “ Na verdade – diz ele –  por trás desses números estão o motoboy entregador que perde sua única fonte de sustento. O pedreiro que precisa do carro para transportar as ferramentas de trabalho. Uma família que está apertada sem condições de regularizar e perde o veiculo,  únicobem que conseguiu ter na vida.”    

Solange Aparecida está revoltada com a atitude do governo do estado: “É muito triste ver que quem deveria proteger a população está fazendo justamente o contrário. A pessoa já está desempregada, endividada, e ainda vem essa pancada. Onde está a sensibilidade do governador? Onde está a preocupação com as famílias? Para mim, isso é crueldade, não tem outro nome” 

As entidades afirmam que há cerca de 300 mil veículos guardados atualmente nos pátios paulistas. “Quando eu conseguir o dinheiro, será que a minha moto vai estar lá?”  pergunta Juliano Ferreira, que teve a moto recolhida numa blitz porque estava com os documentos atrasados. “Eu estou desempregado, mas estou tentando regularizar”.  

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