Conexão direta com especialistas e troca prática aceleram decisões e fortalecem a formação de líderes no setor de beleza
O avanço do empreendedorismo na beleza no Brasil tem ampliado a busca por modelos de formação mais conectados à prática do negócio. Dados do Sebrae indicam que o país registrou mais de 230 mil novos pequenos negócios no segmento de beleza em 2025, o que reforça o crescimento do setor e, ao mesmo tempo, expõe lacunas na formação de gestores. Dentro desse movimento, os ecossistemas de mentoria vem ganhando espaço ao oferecer acesso direto a especialistas e experiências reais de mercado.
Na perspectiva de Saulo Abrahão, empresário do setor da beleza, fundador do salão Duo+ e criador da Mentoria Voe Alto, o movimento responde a uma necessidade prática dos empresários. “O dono de salão não precisa só de informação. Ele precisa de direção, troca com quem já viveu aquilo e acesso a decisões que encurtam o caminho”, afirma.
A proposta desses ambientes vai além do ensino técnico tradicional, em vez de cursos isolados, os programas formam comunidades que conectam empresários de diferentes estágios a grandes referências do mercado. “O aprendizado acontece na troca. Quando o empresário vê outro dono enfrentando o mesmo problema e resolvendo com método, ele ganha clareza para agir mais rápido”, diz.
Conexão e método: os novos pilares do setor da beleza
Em alguns desses programas, modelos estruturados de acompanhamento, como o método Voe Alto, criado por Saulo Abrahão e desenvolvido como braço educacional voltado à formação de empresários da beleza com foco em gestão, liderança e crescimento sustentável, têm sido utilizados para organizar áreas como tomada de decisão, processos internos e desenvolvimento de equipes dentro dos salões. “O método nasceu da necessidade de transformar experiência prática em estrutura. Muitos donos de salão sabem executar bem a técnica, mas precisam aprender a liderar, organizar e tomar decisões com visão empresarial”, afirma.
Segundo o Global Entrepreneurship Monitor, fatores como redes de relacionamento, acesso a conhecimento e troca de experiências entre empreendedores influenciam diretamente a sobrevivência e o crescimento de pequenos negócios. No setor de beleza, essa lógica ganha força pela característica operacional intensa e pela ausência histórica de formação em gestão.
O acesso direto a especialistas é um fator que se difere dos conteúdos abertos, os ecossistemas oferecem proximidade com profissionais que já enfrentaram desafios semelhantes e construíram soluções testadas na prática. “Não é sobre ouvir teoria. É sobre entender como alguém tomou uma decisão, errou, ajustou e fez funcionar. Isso muda a forma como o empresário pensa o próprio negócio”, afirma o empresário.
As apostas empreendedoras nas práticas com imersão
Programas presenciais e encontros intensivos permitem que os participantes se afastem da rotina e olhem o negócio com mais estratégia. A prática tem sido adotada por diferentes segmentos e ganha relevância na beleza, onde muitos donos ainda acumulam funções técnicas e administrativas. “Quando o empresário sai do operacional por alguns dias e mergulha em gestão, ele volta com outro nível de clareza. Isso impacta diretamente o resultado”, diz.
Em um setor marcado por alta rotatividade de equipes e desafios na padronização de serviços, a liderança passa a ser vista como competência central. “O salão cresce quando o dono aprende a liderar. Sem isso, ele continua preso ao dia a dia e o negócio não evolui”, afirma o mentor.
Comunidades profissionais vem ganhando espaço
Comunidades profissionais estruturadas também ganham protagonismo ao oferecer suporte contínuo, já que esses ambientes mantêm o empresário conectado a uma rede de apoio, com troca constante e acompanhamento. “Muitos donos crescem sozinhos e tomam decisões no improviso. Quando entram em uma comunidade, passam a ter referência, comparação e direção”, diz.

O crescimento dos ecossistemas de mentoria indica uma mudança no perfil do empresário no ramo da beleza, que passa a buscar menos conteúdo isolado e mais conexão com experiências reais. A tendência aponta para uma formação mais prática, baseada em troca, acompanhamento e aplicação direta no negócio. “O conhecimento continua importante, mas o ambiente certo acelera muito mais. É isso que faz o empresário sair do lugar e construir um salão que funciona de verdade”, afirma Abrahão.


