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Restaurantes recorrem à tecnologia para destravar crescimento após estagnação

Com custos pressionados e dificuldade de manter margem, digitalização da operação passa a definir quais negócios conseguem voltar a crescer com consistência

Levantamento mais recente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) aponta que cerca de 30% dos estabelecimentos operam sem lucro no país, enquanto a maioria enfrenta pressão constante de custos com insumos, mão de obra e despesas operacionais. Ao mesmo tempo, dados do Sebrae indicam que a falta de gestão estruturada segue entre os principais fatores que limitam o crescimento e a longevidade de pequenos negócios no Brasil.

Marcelo Marani, professor e especialista em foodservice, fundador da Donos de Restaurantes, afirma que restaurantes que estavam estagnados passaram a recorrer à tecnologia para reorganizar a operação e recuperar escala, e avalia que esse movimento já não é opcional. “O restaurante que não usa tecnologia para controlar a operação continua tomando decisão no escuro. E crescer sem clareza de números é um risco enorme”, diz.

Depois de um ciclo de expansão impulsionado por demanda reprimida, muitos negócios encontraram um limite operacional. O aumento do faturamento não veio acompanhado de organização interna, o que resultou em desperdício, baixa previsibilidade e dificuldade para escalar. A resposta tem sido a adoção de sistemas de gestão integrados, que permitem acompanhar vendas, custos e desempenho em tempo real, criando uma base mais sólida para decisões estratégicas.

Esse processo começa pela estruturação dos dados. Controle de estoque, fluxo de caixa e custos por produto deixam de ser planilhas isoladas e passam a operar de forma integrada. Com isso, o empresário consegue identificar quais itens geram margem, onde estão os gargalos e quais ajustes precisam ser feitos. “Não adianta pensar em inteligência artificial se o restaurante ainda não domina o básico da operação. A tecnologia precisa organizar a casa antes de acelerar o crescimento”, explica.

A partir dessa base, a digitalização avança para o relacionamento com o cliente. Ferramentas de CRM, programas de fidelidade e cardápios digitais permitem personalizar ofertas e aumentar a recorrência, reduzindo a dependência de fluxo espontâneo. Restaurantes que utilizam histórico de consumo para orientar decisões comerciais conseguem elevar o ticket médio e melhorar a ocupação ao longo da semana.

Na operação, a automação também ajuda a enfrentar um dos principais entraves do setor, que é a dificuldade de contratação. Soluções como autoatendimento, integração com delivery e sistemas de pedidos diminuem a sobrecarga das equipes e aumentam a produtividade. “A tecnologia não substitui pessoas, mas elimina tarefas repetitivas e reduz erros. Isso melhora a eficiência e libera o time para focar no atendimento”, diz.

Apesar dos ganhos, a adoção ainda exige cautela. Investimentos sem planejamento ou sem integração entre sistemas podem gerar custo adicional sem retorno claro. O caminho mais seguro, segundo o especialista, passa por diagnóstico e priorização. “O erro comum é sair contratando ferramentas sem entender o problema. Tecnologia resolve, mas só quando existe clareza do que precisa ser ajustado”, afirma.

A escolha de fornecedores também influencia diretamente o resultado. Empresas que oferecem integração, suporte e treinamento aumentam a chance de sucesso na implementação. Avaliar histórico, buscar recomendações no próprio setor e entender o impacto financeiro da solução são etapas fundamentais antes da decisão.

Outro ponto crítico está na gestão do uso dessas ferramentas. Sistemas geram dados, mas é a interpretação que direciona o crescimento. “Não adianta ter informação e não usar. O restaurante que cresce é aquele que transforma dados em decisão e rotina de gestão”, pontua.

Com a evolução do setor, a tendência é que a tecnologia se consolide como base da operação, e não mais como diferencial. Negócios que estruturam processos, integram canais e utilizam dados de forma consistente tendem a ganhar eficiência e margem. Já aqueles que mantêm operações desorganizadas seguem mais expostos a oscilações e com dificuldade de expansão.

Para Marani, o ponto de virada está na mudança de mentalidade. “O restaurante que volta a crescer não é o que fatura mais em um mês, mas o que consegue repetir resultado com consistência. E isso só acontece quando existe gestão apoiada em tecnologia”, conclui.

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